------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 44 ASSISTÊNCIA O cenário de sofrimento, diante de nós, lembrou-me o ambiente das Câmaras de Retificação. Depois de conversar com Isidoro, Aniceto voltou e nos disse, decidido: - Mãos à obra! Vamos aplicar alguns passes de reconforto! - Mas – argumentei – será que estou preparado para um trabalho desses? - Por que não? – perguntou o instrutor, com voz firme – Toda competência e especialização, em qualquer setor de serviço do mundo, nascem da boa vontade. Bastam o desejo sincero de ajudar e a noção de responsabilidade para que possamos iniciar, com êxito, qualquer trabalho novo. Suas afirmativas serviram-me de incentivo. Lembrei-me de Narcisa, a dedicada companheira dos sofredores, que permanecia em “Nosso Lar”, quase sem descanso, sacrificando-se. Parecia ouvir ainda sua voz fraterna e carinhosa: -“André, meu amigo, sempre que possível, não se negue a ajudar os que sofrem. Em trabalho com os doentes, não se esqueça que o melhor remédio é a renovação da esperança. E se encontrar os falidos e os derrotados, fale a eles sobre o futuro divino. Se for procurado, algum dia, pelos espíritos desviados e criminosos, não diga palavras de condenação. Anime, eleve, eduque, desperte, sem ferir os que ainda dormem. Deus faz maravilhas por intermédio do trabalho de boa vontade!” Sem vacilar, mergulhei no serviço. Aniceto indicou-me um grupo de seis entidades, dizendo: - Aplique seus recursos, André. Com a nossa ajuda, os trabalhadores da casa poderão cuidar de outros casos também importantes. Que os mais humildes trabalhadores do bem se alegrem com a oportunidade de dar o exemplo nas tarefas mais comuns, inspirando-se em Jesus, porque nenhum de seus gestos fica perdido no espaço e no tempo. Naquele instante, em que fui chamado a ajudar de verdade, não recorria aos meus conhecimentos científicos, nem à técnica da medicina oficial, à qual havia me filiado quando encarnado, mas recordava aquela Narcisa humilde e simples, das Câmaras de Retificação, enfermeira dedicada e carinhosa, que conseguia muito mais com amor do que com medicamentos. Aproximei-me de uma senhora profundamente abatida, tendo em mente o exemplo da boa amiga de “Nosso Lar”, entendendo que não deveria socorrer apenas com firmeza e energia, mas também com ternura e compreensão. - Minha irmã, - disse, procurando conquistar sua confiança – vamos ao passe. - Ai, ai! – respondeu ela – Não vejo nada, não vejo nada! Ah, o tracoma! Como eu sou infeliz! E me falam em morte, em vida diferente... Como recuperar a visão?! Quero ver, quero ver!... - Calma! – respondi, com coragem – Não confia no poder de Jesus? Ele continua curando cegos, iluminando seu caminho, guiando seus passos! Só mais tarde me lembrei que, naquele instante, havia abandonado a curiosidade doentia. Não pensei nas sequelas deixadas pelo tracoma naquele organismo espiritual, nem me preocupei com os aspectos científicos do fenômeno, vendo, diante de mim, apenas uma mulher necessitada sofrendo. E, à medida que me concentrava em praticar o amor fraternal, uma luz diferente começou a me envolver e aquecer minha testa. Lembrando da influência divina de Jesus, comecei o passe de alívio sobre os olhos da pobre mulher, notando que uma placa enorme de sombra pesava sobre sua testa. Dizendo palavras de ânimo, nas quais colocava também o melhor da minha essência, concentrei minhas energias de auxílio nesta área perturbada. Em poucos minutos, a mulher deu um grito de espanto. - Estou vendo, estou vendo! – exclamou, assustada e feliz – Deus é grande! Deus é grande! E ajoelhando-se, instintivamente, para agradecer, dizia-me, comovida: - Quem é você, mensageiro do bem? Uma emoção irresistível me dominou. A bondade de Deus me confundia. Quem era eu para curar alguém? Mas a alegria daquela mulher, tirada da escuridão, confirmava o fato, no qual eu não acreditava. A luz daquela bênção parecia deixar mais claros meus defeitos individuais e, sem poder evitar, comecei a chorar. Enquanto a doente também chorava agradecendo, eu me deixava envolver numa onda de novos pensamentos. O acontecimento me surpreendia. Queria socorrer o próximo doente, no entanto sentia-me preso a estranho deslumbramento íntimo. Aniceto, porém, aproximou-se e falou delicadamente: - André, a admiração exagerada dos resultados pode prejudicar o trabalhador. É em situações como esta que a vaidade costuma despertar dentro de nós, fazendo-nos esquecer de Deus. Lembre-se que todo bem vem dele, que é a luz de nossos corações. Somos seus instrumentos nas tarefas de amor. O trabalhador fiel não é aquele que fica ansioso pelos resultados, nem o que se deixa deslumbrar na contemplação deles, mas justamente o que cumpre a vontade divina e segue adiante. Aquelas palavras não poderiam vir em melhor hora. O bondoso instrutor voltou ao trabalho que fazia com outras entidades, e eu, aproveitando o alerta amoroso, disse à senhora agradecida: - Minha amiga, agradeça a Jesus e não a mim, que sou apenas um trabalhador qualquer. Quanto ao resto, não se espante tanto com a visão dos aspectos exteriores. Procure voltar os olhos para dentro de si mesma, para que possa agradecer a Deus o sublime dom da visão. Notei que a doente se surpreendia com minhas palvras, como se parecessem inoportunas e filosóficas demais, talvez, mas, novamente compenetrado do meu dever, passei para o próximo necessitado. Tratava-se de um pobre homem que havia desencarnado em Gamboa de câncer. Todo o rosto tinha péssimo aspecto. Apliquei passes de reconforto, aliados a pensamentos e palavras de ânimo, e notei que o doente apresentava considerável melhora. Prometi que me interessaria pelo seu caso, para que pudesse internar-se em alguma casa espiritual de tratamento, recomendando que se preparasse mentalmente para alcançar aquela dádiva, no momento oportuno. Em seguida, atendi a dois ex-tuberculosos do Encantado, a uma senhora desencarnada em Piedade, em consequência de um tumor maligno, e a um rapaz de Olaria, que havia desencarnado durante uma cirurgia. No entanto, nenhum destes últimos teve qualquer melhora. Os sintomas físicos e psíquicos de sofrimento persistiam. Quando terminei a tarefa designada a mim, juntei-me a Aniceto e Vicente, que me esperavam do outro lado da sala. - As atividades de assistência – disse o instrutor, cuidadoso – processam-se sempre como vimos aqui. Alguns se sentem curados, outros apenas melhoram e a maioria parece continuar insensível ao trabalho de auxílio. Para nós, o que interessa, no entanto, é plantar o bem. As folhas, as flores e os frutos pertencem a Deus. Vicente, que parecia muito impressionado, comentou: - Estou espantado com o número de entidades perturbadas, nos mais variados graus de desequilíbrio, desde “Nosso Lar” até aqui. Aniceto sorriu e falou, sério: - A grande maioria desses casos é consequência da falta de educação religiosa. Não a que vem dos padres ou parte da boca de um para os ouvidos de outro, mas a educação religiosa íntima e profunda, que o homem rejeita e repele sistematicamente.