------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 45 MENTE DOENTE Sempre trabalhando e ensinando, Aniceto comentou: - Não temos aqui apenas os desencarnados doentes. Reparem os encarnados. Entre os que estão no plano espiritual e os que ainda se encontram no plano físico, a proporção de trabalhadores, em relação ao número de necessitados, é quase a mesma. Apontando um senhor de boa aparência, que conversava com Bentes, doutrinador naquele grupo, acrescentou: - Vejam este amigo rodeado de sombra, conversando com o colaborador de Isabel. Ouçam o que diz e depois me digam o que pensam. Realmente, o senhor indicado estava cercado de pequenas nuvens, principalmente na região do cérebro. Concentrando-me melhor, pude ouvi-lo claramente: - Há muito tempo, - dizia, categórico – frequento as reuniões espíritas à procura de algo que me convença. No entanto, - e sorriu, irônico – ou eu tenho menos sorte que os outros ou estamos diante de uma fraude mundial. Atento à atitude de respeito do orientador encarnado, continou, orgulhoso: - Tenho estudado muito, sem deixar de analisar tudo com muito critério. Já devorei uma lista enorme de livros relativos à sobrevivência do espírito e, no entanto, nunca tive qualquer prova. O Espiritismo está cheio de teses bonitas, mas o assunto parece cercado por dúvidas. A obra de Kardec representa grande conquista filosófica, sem dúvida, no entanto, Richet nos traz uma série de novas perspectivas. A metapsíquica conteve os abusos da imaginação, trazendo a público observações mais profundas a respeito dos poderes desconhecidos do homem. Diante dessas verdades científicas, a mediunidade ficou reduzida em suas proporções. Precisamos racionalizar as coisas, ajustando os fenômenos ao critério adequado. Entretanto, Bentes, vivemos em um cenário de mistificações sutis, longe das demonstrações verdadeiras. A essa altura, Bentes, muito calmo e seguro de sua fé, argumentou: - Concordo, Dr. Fidélis, que o Espiritismo não deve fugir a qualquer tipo de análise séria. No entanto, creio que a doutrina é um conjunto de verdades sublimes, que se dirigem, de preferência, ao coração do homem. É impossível captar sua grandeza divina com a nossa limitada capacidade de observação, ou beneficiar-se de seus ensinamentos tendo o raciocínio viciado nos erros de muitos milênios. Além disso, temos aprendido que a revelação divina não é conquista mecânica, que se alcança sem esforço. A missão do Evangelho, com Jesus, foi precedida por um esforço humano de muitos séculos. Quantos precursores de Jesus foram sacrificados antes de os cristãos serem levados aos circos romanos? Em primeiro lugar, devemos construir o recipiente, para, depois, receber a bênção. A Bíblia, livro sagrado dos cristãos, é o encontro da experiência humana do Velho Testamento, cheia de suor e lágrimas, com a resposta divina, pura e sublime, no Evangelho de Jesus. Dr. Fidélis deu um sorriso amarelo, entre a ironia e a vaidade ofendida. Mas Bentes não perdeu a oportunidade e continou: - Se todo serviço sério da humanidade tem algo de sagrado aos nossos olhos, que dizer, então, das realizações divinas no planeta? E considerando a finalidade do trabalho na organização do mundo, que seria de nós se alguns amigos espirituais mais sábios nos revelassem a existência de mundos superiores, empurrando-nos para eles, precipitadamente, apenas por gostarem muito de nós? Estaríamos preparados para uma mudança tão radical? Sabemos o que é a vida num mundo superior? Já trabalhamos bastante para entender a vontade de Deus? E a Terra? E as nossas dívidas de milênios para com o planeta que tem suportado nossas imperfeições? Como viver nos andares de cima, sem limpar os andares de baixo, onde temos vivido? Estas considerações são imprescindíveis em argumentações como a sua, uma vez que não podemos calcular o tamanho de um rio, observando apenas as gotas que nos molham na margem. O pesquisador teimoso tornou-se ainda mais irônico e revidou: - Você fala como homem de fé, esquecendo que meu esforço se destina à razão e à ciência. Estou falando das conclusões inevitáveis que vêm da livre pesquisa, das farsas mediúnicas de todos os tempos. Você sabe que vários cientistas examinaram as fraudes do mais famosos médiuns, na Europa e na América. Ora, o que podemos esperar de uma doutrina confiada a mistificadores mundiais? Bentes respondeu, muito sereno: - Você está enganado, Dr. Fidélis. Seria um erro grave de nossa parte colocar toda a responsabilidade pela doutrina nas costas dos médiuns. Eles são simples colaboradores do trabalho de espiritualização. Cada um vai responder pelo que fez dos recursos recebidos, assim como nós também seremos forçados a prestar contas, um dia. Não poderíamos cometer o absurdo de atribuir a convergência de todas as verdades divinas para a cabeça de apenas alguns homens, candidatos a novos cultos de adoração. A doutrina, Dr. Fidélis, é uma fonte sublime e pura, inacessível aos ataques de individualismo de qualquer um de nós, fonte onde cada um deve beber para a renovação de si mesmo. Quanto às fraudes mediúnicas a que se refere, é preciso reconhecer que a suposta infalibilidade científica tem transformado os melhores colaboradores dos desencarnados em grandes desequilibrados ou em simples cobaias de laboratório. Os pesquisadores, que se auto-intitulam metapsiquistas atualmente, são como estranhos lavradores que lotam o campo de plantio, sem nada produzirem de realmente útil. Examinam a terra, contam os grãos e vermes que a atacam, medem a temperatura e o tamanho, observam as condições climáticas e registram variações atmosféricas, mas desprezam a semente, para grande surpresa dos trabalhadores sérios. Fidélis deixou de sorrir e comentou: - Vamos ver... Vamos ver... Ainda estou esperando pela mensagem dos meus entes queridos desencarnados, com os sinais inconfundíveis da vida após a morte... Aniceto nos tocou de leve e falou: - Notaram como este homem tem a mente enferma? É um dos curiosos doentes, encarnados. Tem grande cultura e, no entanto, como tem os sentimentos envenenados, tudo o que chega ao seu raciocínio acaba sendo contaminado. É pesquisador de superfície, como muita gente. Espera tudo dos outros, analisa os outros, mas não examina a si mesmo. Quer a glória divina, sem esforço humano; reclama a graça celeste, fazendo exigências; quer colher a verdade, sem participar do plantio; espera a tranquilidade da fé, sem trabalhar por ela; gosta da ciência, mas não consulta a consciência; prefere facilidades do que aliar-se à responsabilidade. E, vivendo na agitação de saber cada vez mais, agarrado aos interesses inferiores e à satisfação dos sentidos físicos, em caráter absoluto, espera a mensagem dos desencarnados... Estavámos admirados com as conclusões de Aniceto. Vicente, que parecia muito impressionado, perguntou: - Afinal, o que é que ele quer? Aniceto sorriu e respondeu: - Nem ele sabe. Para nós, Vicente, o Dr. Fidélis é um desses doentes que não querem procurar a cura, por terem apego demais aos próprios sintomas.