------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 47 NO TRABALHO ATIVO Os comentários de Bentes, inspirado por um companheiro bastante elevado, também presente à reunião, eram muito bem recebidos pelos desencarnados. Entre os encarnados, no entanto, a harmonia não era a mesma. Observávamos grande instabilidade de pensamentos. A ansiedade dos presentes perturbava a corrente vibratória. De vez em quando, notávamos alguns desequilíbrios que afetavam, em especial, a mediunidade de D. Isabel e a postura receptiva do expositor, que parecia perder o “fio do raciocínio”, como se diz popularmente. Colaboradores atentos restabeleciam a sintonia, o mais possível. Reparamos que alguns encarnados estavam agitados demais. Os que tinham menos tempo de doutrina eram os que agiam com maior irresponsabilidade. Tinham a mente vagando muito longe dos comentários elevados. Era possível ver, claramente, suas imagens mentais. Alguns se prendiam às atividades do dia a dia, outros ficavam impacientes por não alcançar o que haviam ido buscar ali. Aniceto, que não perdia nenhuma ocasião de nos dar novos esclarecimentos, comentou, discreto: - Muitos estudiosos do Espiritismo se preocupam com a questão da concentração nos trabalhos espirituais. Não são poucos os que determinam padrões exteriores para as pessoas concentradas, os que exigem determinada postura corporal e os que esperam resultados rápidos nas atividades desse tipo. Entretanto, quem fala em concentração, fala em congregar alguma coisa. Ora, se os encarnados não levam a sério as próprias responsabilidades fora das casas espíritas, se, por acaso, cultivam a leviandade, a indiferença, o erro deliberado e incessante, a teimosia, a incoerência entre o que falam e o que fazem, vão concentrar o quê, nos rápidos momentos de serviço espiritual? Boa concentração exige vida equilibrada. Para que os nossos pensamentos se congreguem uns aos outros, propiciando potencial de união para o bem, é indispensável o trabalho de preparação mental na meditação superior. A atitude íntima de negligência com as lições evangélicas recebidas não pode dar ao praticante, ou ao trabalhador, a concentração de forças espirituais no serviço de elevação, só porque eles se entregam, apenas alguns minutos por semana, a pensamentos obrigatórios de amor cristão. Como vêem, o assunto é bem complicado e pede muitas considerações e análises. Reparei, com mais atenção, os encarnados à minha volta. Se não fosse a dedicação dos colaboradores espirituais, seria impossível qualquer proveito concreto. Isidoro e outros amigos trabalhavam intensamente, despertando alguns dorminhocos e corrigindo o pensamento dos descuidados, para neutralizar algumas influências negativas. Tinha que reconhecer que os benefícios mais imediatos da palestra de Bentes eram muito mais visíveis entre os desencarnados. Todos, sem exceção, recebiam conforto e consolo direto. Quando a palestra terminou, um pouco antes de D. Isabel começar o trabalho de receituário, notei que uma senhora desencarnada se aproximou de Isidoro, pedindo: - Meu amigo, será que você poderia falar com os nossos orientadores por mim, para saber se seria possível que me comunicasse diretamente com minha filha, que está aqui hoje? Tenho certeza de que, com a devida permissão, Isabel me ajudaria. Isidoro mostrou desejo de atendê-la, mas, depois de falar rapidamente com a entidade mais elevada da reunião, que trabalhava entre a médium e o doutrinador, voltou, para minha surpresa, meio constrangido com a resposta: - Irmã, - disse ele – Anselmo acredita que não podemos atender o seu pedido. Ele nos garantiu que sua filha ainda não está em condições de receber essa bênção. Ela agora precisa testemunhar o que aprendeu com você, no mundo, aproveitando a oportunidade sem se acomodar com o seu socorro. E como a senhora parecia ter ficado triste, Isidoro continuou, com carinho: - Mas não é só por isso que ele não pode atendê-la, minha amiga. Esse contato seria prejudicial também para você, como mãe. No seu atual estágio, com o velho hábito adquirido, sua filha se apegaria demais ao seu auxílio. Ficaria presa à mãe carinhosa e sensível e você, talvez, se perturbasse nessa sua nova fase de vida. Ela precisa ficar mais à vontade para testemunhar, enquanto você deve ter o coração livre, por merecimento conquistado às custas de muito sofrimento, quando encarnada. Mesmo reconhecendo o caráter sagrado de seu carinho, nossos orientadores não podem permitir que você a perturbe, entende? Não se atormente com esse impedimento passageiro. Lembre-se de que todos somos filhos de Deus e Ele saberá como atender a cada um, em seu lugar. No mais, tenhamos alegria em nosso trabalho. Não se esqueça de que o auxílio não vem de modo direto, mas sempre podemos recorrer ao método indireto. Quem sabe, amanhã você se encontra com ela em sonho? A mulher sorriu conformada e respondeu: - É verdade. Preciso entender a nova situação. Nesse instante, uma entidade amiga se aproximou de Isidoro e solicitou: - Meu amigo, preciso que fale com os receitistas para que dêem novas orientações a Amaro. Meu sobrinho precisa de reforço para a saúde física. O esposo de Isabel fez um gesto significativo e respondeu: - Não posso, meu caro, não posso. Se Amaro pedir e os receitistas cederem, tudo bem, mas você sabe que o nosso paciente é muito rebelde. Já providenciei orientação médica espiritual cinco vezes, sem que ele fizesse a sua parte. Não vai atrás do remédios indicados e, quando os obtém, de favor, dos amigos, despreza os horários e acha que as recomendações são inúteis. Critica muito as orientações recebidas e trata delas com pouco caso. Claro que não estou aborrecido com isso, como o adulto que não se aborrece com as travessuras de uma criança, mas você sabe que estamos lidando com algo sagrado e não temos tempo para cuidar de quem só quer brincar. Além disso, dar a quem não quer receber, não é caridade. Isidoro falava com tanto carinho, que afastava qualquer possibilidade de ofensa. Compreendi que, para atender a tanta gente e trabalhar em meio a tantos objetivos diferentes, era preciso agir daquela forma. O serviço prosseguia com grandes ensinamentos para Vicente e para mim. O esforço dos médicos espirituais, aliado à dedicação da médium, nos emocionava. Era mesmo necessária muita renúncia para realizar o trabalho pesado e numeroso de assistência aos encarnados, já que poucos frequentadores do grupo pareciam manter atitude coerente com a sublime dedicação em nome do Mestre. Aniceto, adivinhando meus pensamentos, disse com bondade: - Um dia, André, você vai entender, com Jesus, que é melhor servir que ser servido e mais bonito dar que receber.