------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 48 PAVOR DA MORTE Aniceto esclarecia várias de minhas dúvidas. No entanto, havia sempre algo mais para aprender. Por que havia tantos desencarnados ali? Se o que recebiam era assistência espiritual, eles não poderiam se reunir no plano espiritual? Com delicadeza, questionei Aniceto. - De fato, André, - respondeu ele – a maioria dos desencarnados recebe esclarecimentos razoáveis em nosso plano. Você mesmo, logo que voltou da Terra, não foi levado às reuniões mediúnicas para o esclarecimento necessário. No entanto, na passagem para cá, há um grande número de entidades que sentem uma saudade doentia do plano físico, mais ou menos como acontece com os animais quando são separados do rebanho. Para ajudar na adaptação dessas entidades ao seu novo “habitat”, o socorro é mais eficiente no contato com as energias dos encarnados. Em momentos como este, esta sala funciona como uma grande incubadora de energias psíquicas destinadas à aclimatação de determinadas estruturas espirituais à vida nova. E, apontando os necessitados reunidos, continuou: - Nessas condições, esses desencarnados ouvem nossa voz, consolam-se com a nossa ajuda, mas o magnetismo humano tem um teor mais significativo para eles, despertando-lhes novas forças nesse contato. Por isso, o trabalho de ajuda em casas como esta tem proporções que, por enquanto, você não tem condições de avaliar. Não notou os preguiçosos, os dorminhocos e invigilantes que vieram buscar benefícios nesta casa? Pois eles também deram algo de si... Deram energia magnética, irradiações vitais úteis aos colaboradores da casa que manipulam esse tipo de elementos, distribuindo-os em combinações fluídicas aos desencarnados que ainda não se adaptaram. E, sorrindo, concluiu: - Tudo tem algum proveito, André. Deus não faz nada em vão. Quando a reunião terminou, com benefícios gerais que não me cabe descrever aqui, Aniceto foi atender ao médico que desejava sua ajuda em alguns casos. - Muitas vezes, - explicou o colega do grupo de D. Isabel – não só ministramos medicação aos corpos doentes, como também damos orientações aos desencarnados de quem cuidamos enquanto estavam doentes. - E são muitos? – perguntei. - Um número cada vez maior – disse ele. – Há ocasiões em que contamos com a ajuda de amigos ou parentes espirituais, mas, na maioria dos casos, somos forçados a trabalhar sozinhos. Felizmente, quase sempre temos assistentes devotados e ativos. Há companheiros que se dedicam a cuidar de tuberculosos, cegos, aleijados, leprosos, perturbados e moribundos, isoladamente. São o nosso maior socorro em todas as situações. Saímos e, em alguns minutos, estávamos em frente a um edifício muito grande. O colega nos levou ao interior de um espaçoso necrotério, onde vimos algo interessante. O corpo de uma jovem, de menos de 30 anos de idade, estava ali gelado e rígido, com um espírito masculino ao seu lado, vigiando. Surpreso, notei que a desencarnada estava agarrada ao cadáver, com os olhos fechados, com medo de ver o que estava à sua volta. - O processo de desligamento físico já terminou, - disse o colega atento – mas a infeliz está aqui há seis horas, dominada por imenso pavor. E, apontando o homem desencarnado que estava junto dela, explicou: - Aquele é o noivo que a espera há muito tempo. Aproximamo-nos um pouco e ouvimos que dizia, carinhosamente: - Cremilda, Cremilda! Venha, abandone o corpo sem vida. Fiz de tudo para que não sofresse mais... Nossa casa a espera, cheia de amor e luz. A moça, no entanto, fechava os olhos, dando a entender que não queria vê-lo. Notávamos, claramente, que seu perispírito estava completamente desligado do corpo físico, mas a pobre moça continuava estendida, imitando a posição do cadáver, paralisada de medo. Aniceto, que pareceu entender tudo num instante, fez um leve sinal ao noivo, que se aproximou, comovido. - Precisamos tratá-la de outro jeito – disse o instrutor, decidido. – Vejo que ela não dormiu no momento do desencarne e agora está apavorada por falta de preparo espiritual. É melhor que ela não o veja agora. Apesar do amor que sente, não vai aguentar reencontrá-lo sem ficar profundamente chocada. - É verdade... – disse ele, triste. – Há seis horas que estou chamando continuamente, deixando-a ainda mais assustada. Aniceto respondeu, aconselhando: - Falta de preparo religioso, meu amigo. Mas ela vai dormir e, assim que tiver repousado um pouco, deixo-a aos seus cuidados. Por enquanto, mantenha-se à distância. E, acompanhado do médico espiritual que havia tratado dela nos seus últimos dias de vida, aproximou-se, falando carinhosamente: - Cremilda, vamos ao novo tratamento. Ao ouvir isso, a moça abriu os olhos assustados e exclamou: - Ah, doutor, graças a Deus! Que pesadelo horrível! Pensei que estava no mundo dos mortos, ouvindo meu noivo, que faleceu há anos, me chamar para a Eternidade!... - A morte não existe, minha filha! – disse Aniceto, com carinho – Acredite na vida, na vida eterna, profunda, vitoriosa! - O senhor é o novo médico? – perguntou, aliviada. - Sim, fui chamado para lhe dar um tratamento magnético. Você precisa dormir e descansar... - É verdade... – disse ela – Estou muito cansada, precisando relaxar... Em voz baixa, Aniceto nos recomendou que ajudássemos orando e, depois de ficar alguns minutos em silêncio, aplicou-lhe o passe tranquilizante. A jovem adormeceu quase imediatamente. O instrutor afastou-a do cadáver, com carinho de pai, e entregou-a ao noivo aliviado. - Agora você pode levá-la. O rapaz agradeceu com lágrimas de alegria e saiu flutuando, com o rosto iluminado, carregando o objeto do seu amor. Aniceto fez um gesto expressivo e falou: - Como era uma pessoa boa e virtuosa, não precisará passar pelo Umbral. No entanto, é lastimável que não tenha se preparado adequadamente. Mas logo estará adaptada à nova vida. Os bons não encontram grandes dificuldades. E querendo enfatizar a lição, concluiu: - Como vêem, a idéia de morte não serve para aliviar, curar ou contruir de verdade. É necessário difundir a idéia de vida, vida vitoriosa. Aliás, o Evangelho já nos ensina, há séculos, que Deus não é Deus de mortos, mas Pai das criaturas que vivem para sempre.