------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 50 O DESENCARNE DE FERNANDO Quando Aniceto retirou a mão da minha testa, não pude mais continuar com as observações microscópicas. Minha visão alcançava detalhes muito importantes para todos, mas estava longe daquele poder de percepção que o mentor me transmitia, ao contato com suas energias. Concentrando minha capacidade visual, ainda via o esqueleto, o sangue, os tecidos, os tumores, mas aquelas batalhas minúsculas haviam desaparecido como que por encanto. De qualquer modo, minha surpresa era enorme, porque agora percebia, em mim mesmo, o potencial do Raio X. Aniceto, depois de proporcionar a Vicente o mesmo estudo, tomava novas providências. No quarto, permaneciam ainda alguns parentes aflitos. Um médico encarnado examinava o paciente, com atenção. Nesse momento, as duas entidades que se mantinham no quarto, e que apenas nos cumprimentaram, se aproximaram de Aniceto, pedindo-lhe uma colaboração mais direta. - Por favor, amigo, - disse a mãe do paciente – ajude-nos a retirar meu filho do corpo esgotado. Há várias horas que estamos à espera de alguém que possa nos ajudar nesse processo. Tenho tentado acalmá-lo, mas é em vão! – disse a senhora, com tristeza – Ele continua em estado de profunda incompreensão. Está absolutamente preso às sensações de sofrimento físico, como foi ligado às satisfações do corpo durante a encarnação. Aniceto concordou, acrescentando: - Realmente, notam-se grandes falhas na força mental do paciente. Percebe-se que levou a vida atendendo mais ao instinto que à razão. Em suas células, observamos várias manifestações de indisciplina. Mas poderemos ajudá-lo a se libertar dos laços mais fortes da carne. - Será uma caridade... – respondeu a mãe, aflita. - Você está encarregada de levá-lo? – perguntou Aniceto, compreendendo a responsabilidade da tarefa. – Precisamos saber, porque o desprendimento completo acontecerá em alguns minutos. Ela fez um gesto triste e respondeu: - Eu bem que gostaria de fazer algo mais pelo meu pobre Fernando, mas tenho permissão apenas para ampará-lo em seus últimos momentos de vida. Meus superiores prometeram ajudá-lo, mas me aconselharam a deixá-lo por conta própria durante algum tempo. Fernando precisa rever o passado, retomando os valores que, infelizmente, desprezou. As lágrimas e os remorsos, na solidão do arrependimento, trarão calma ao seu espírito irresponsável. Gostaria muito de abraçá-lo, voltando aos dias que já se foram, mas não posso prejudicar seu caminho com meu amor de mãe. Na verdade, Fernando é meu filho do coração, mas ambos temos contas a prestar. De minha parte, estou cansada de só complicar minha situação. Não devo contrariar a vontade de Deus. A essa altura, o médico espiritual que havia nos levado até ali interrompeu a conversa, informando: - Ela tem razão. Fernando não poderá ir com ela, mas os seus pedidos têm sido tão profundos, que recebi instruções para levá-lo a uma casa de socorro, onde poderá aproveitar melhor as lições do sofrimento, já que estará isolado de influências inferiores e criminosas, mesmo estando recolhido a zonas mais baixas. - Entendo... – murmurou Aniceto, sério – Acho isso bem razoável. Em seguida, falou, como quem não tinha tempo a perder: - A aflição da família encarnada presente poderá dificultar nosso trabalho. Vejam como todos emitem recursos energéticos em favor do doente. De fato, uma rede de fios cinzentos e levemente iluminados parecia ligar os parentes ao doente quase morto. - Esse tipo de recurso – continuou ele – é inútil agora para restabelecer sua saúde. Precisamos anular essas forças emitidas pelo desespero, começando por proporcionar a possível tranquilidade à família. E, aproximando-se mais do doente, preparou-se para um passe, dizendo: - Vamos alterar o quadro do coma. Depois de algum tempo em que Aniceto trabalhava, observado por nós em profundo silêncio, ouvimos o médico encarnado dizer aos parentes do paciente: - O quadro melhorou. A pulsação está, inexplicavelmente, quase normal e a respiração parece estar se acalmando. Três senhoras suspiraram aliviadas. - D. Amanda, - disse o médico à esposa do doente – é melhor a senhora ir descansar com suas cunhadas. O Sr. Fernando está muito tranquilo e a situação é bem favorável. Januário e eu ficaremos aqui tomando conta dele. As senhoras e mais dois homens, que se preparavam para sair, agradeceram satisfeitos. Ficaram no quarto apenas o médico e um irmão do paciente. A melhora repentina havia tranquilizado a todos. E, aos poucos, os fios cinzentos, que se ligavam ao doente, desapareceram sem deixar qualquer vestígio. - Vamos abrir a janela – disse o médico, satisfeito. – O ar talvez ajude na melhora do nosso amigo. Profundamente espantando, notei que três rostos horríveis surgiram, de repente, na janela, perguntando, em voz alta: - Como é? O Fernando vem ou não vem? Ninguém respondeu, mas notei que Aniceto olhou-os de modo significativo, forçando-os a desaparecer. Mais meia hora se passou, com o médico e o sr. Januário conversando animadamente sobre banalidades, quase completamente despreocupados do doente, em virtude das melhoras observadas. Aniceto aproveitou o momento de serenidade no ambiente e começou a retirar o corpo espiritual de Fernando, separando-o do cadáver, começando pelos calcanhares e terminando na cabeça, à qual o paciente parecia estar preso por extenso cordão, tal como acontece com os recém-nascidos. Aniceto cortou-o com esforço. O corpo físico de Fernando sofreu um solavanco, atraindo a atenção do médico. A operação não foi fácil e rápida. Levou vários minutos, em que Aniceto precisou concentrar toda a sua atenção e usar grande cota de suas energias. A família do paciente, informada pelo Sr. Januário, entrou aflita no quarto. Mas a mãe do desencarnado, ajudada por Aniceto e pelo médico espiritual que nos acompanhava, já prestava, ao filho, os socorros necessários. Em seguida, enquanto a família encarnada se debruçava chorando sobre o cadáver, vi o pequeno grupo, constituído pelas duas senhoras e o médico, sair, levando Fernando ao instituto de assistência, notando que não saíam volitando, mas caminhando como qualquer encarnado. Estava profundamente impressionado, mas o que mais me espantava era o surgimento daqueles rostos diabólicos, quando a janela foi aberta. Por que tanto desprezo por um agonizante? Saindo da casa deles, Aniceto me olhou com atenção e, antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, explicou: - André, não se preocupe tanto com os vagabundos que esperavam Fernando. Eles só não entraram no quarto porque a presença da mãe impedia tal assédio. E, depois de ligeira pausa, acrescentou: - Na vida, cada um cultiva as afeições que prefere. Fernando gostava dos companheiros desequilibrados. Não é de se estranhar, portanto, que eles tenham vindo esperá-lo no momento de retorno à verdadeira vida. Paulo de Tarso, no capítulo 12 da Epístola aos Hebreus, disse que o homem está cercado de grande “nuvem de testemunhas”. Ora, isso foi dito à humanidade há quase dois mil anos. Desse modo, cada um tem as companhias invisíveis a que se afeiçoa na Terra. Mais tarde, quando a humanidade compreender a importância das lições evangélicas, todo homem terá mais cuidado ao escolher suas testemunhas.