------------------------------------- OS MENSAGEIROS em português de hoje em dia Pelo espírito André Luiz - Série Nosso Lar Psicografado por Chico Xavier (Francisco Cândido Xavier) Adaptado por Maisa Intelisano - http://colunas.voadores.com.br/maisa Este projeto visa uma maior popularização e compreensão da mensagem de André Luiz Divulgado pela lista voadores: http://lista.voadores.com.br ------------------------------------- 51 DESPEDIDAS Depois de mais algumas atividades espirituais, a semana de serviço ao lado de Aniceto terminou. Acompanhamos o instrutor nas mais diferentes e complexas tarefas. Hospedados na casa de Isabel, atendemos a vários doentes, bem como a outros companheiros perturbados, abatidos, desorientados e agonizantes. Para todos os casos, o nosso orientador tinha recursos maravilhosos de improvisação, sempre atencioso e otimista. Aqueles poucos dias de trabalho novo proporcionaram-me novas idéias e sentimentos, que até então não conhecia. Ao contato com as revelações de Aniceto sobre eletricidade e magnetismo, revia todos os meus conhecimentos de medicina. A autoridade da mente sobre o funcionamento do organismo, as forças radioativas, as bactérias, a visão mais ampla da matéria organizada, forçavam-me a rever todos os conceitos médicos sobre a arte de curar corpos doentes. Acima de tudo, entendia melhor agora o Médico Divino que recupera a saúde do espírito imortal. A luz intensa, que agora me envolvia, dava-me maior conhecimento de Jesus. Assim, compreendi que a fé não é apenas uma afirmação verbal, nem uma adesão estatística. Seria inútil procurá-la no sectarismo, nas disputas vulgares ou nos cultos externos que se alteram todos os dias. Ela era, sim, uma fonte de água viva, nascendo espontanemente em minha alma. Expressava-a em profundo respeito e alto senso de serviço e responsabilidade diante das dádivas divinas. Sentia-me como se houvesse encontrado um tesouro indestrutível e intransferível, nascido e concretizado em mim mesmo. Quando Aniceto nos chamou para voltar, sentia-me totalmente outro. Tinha a impressão de haver recebido notícias diretas de Jesus na descoberta do meu próprio mundo interior. Como poderia recompensar o querido instrutor por benefícios como estes? As orações haviam terminado, na última reunião na casa de Isidoro e Isabel. Os trabalhos, sempre intensos, deram-nos oportunidades de novas observações e experiências. Grande número de amigos de Aniceto aproximaram-se dele, ansiosos por trocar algumas palavras na despedida. O orientador dedicado tinha, para todos, uma palavra de bom ânimo, otimismo, alegria e confiança em Deus, como um príncipe que só tem palavras de ouro espiritual. Vicente e eu estávamos emocionados e queríamos dizer-lhe o quanto estávamos agradecidos pelas bênçãos recebidas, mas, ao nos aproximarmos, o instrutor sorriu e se antecipou: - Agradeçam a Jesus por tudo o que nos tem dado. E querendo que o assunto geral fosse o amor às coisas sagradas, pegou a Bíblia e leu, em voz alta, os versículos 1 a 5 do segundo capítulo dos Provérbios de Salomão: - “Filho meu, se aceitares as minhas palavras e guardares contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o teu coração ao entendimento; e se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros ocultos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.” Em seguida, deixou o livro sobre a mesa e falou: - Lembremo-nos do Senhor em nossas despedidas. Confirmemos, irmãos, nossos compromissos de trabalho e testemunho. Em tão pequeno trecho dos Provérbios, encontramos vários verbos que interessam diretamente aos espíritos cristãos. Aceitar os mandamentos divinos e respeitá-los, tornar o ouvido atento e o coração esclarecido, pedir entendimento e inteligência, erguendo a voz acima dos objetivos inferiores, buscar os tesouros do Cristo e procurar seu programa de serviços, representam o esforço elevado daquele que, de fato, deseja a Divina Sabedoria. Não devemos esquecer nossos deveres. Como a pausa foi mais longa, um companheiro pediu ao querido amigo que prosseguisse nos comentários do texto, mas Aniceto respondeu, com carinho: - Por ora, meu amigo, não é possível. Temos outros compromissos longe daqui. E dirigindo-se, em especial, a Vicente e a mim, afirmou: - Já que vamos voltar pela estrada comum, podemos esperar Isabel chegar, para agradecermos e nos despedirmos. Em poucos minutos, a querida companheira de Isidoro, deixando o corpo adormecido, veio nos encontrar, ao lado do esposo, atendendo ao convite mental do nosso orientador. Aniceto expressou nosso profundo reconhecimento e alegria pelas oportunidades de serviço que Deus havia nos proporcionado. D. Isabel agradeceu, comovida, deixando rolar algumas lágrimas do reconhecimento que sentia. - Querido Aniceto, - disse ela, enxugando os olhos – se for possível, volte sempre à nossa casa. Amigo, ensine-me a ter paciência e coragem. Quando puder, não deixe que eu me desvie dos meus deveres de mãe, tão difíceis de cumprir na carne, onde os interesses inferiores estão sempre se chocando com violência. Ampare-me nas obrigações de trabalhadora do Evangelho de Jesus! Muitas vezes, profundas saudades da família espiritual me machucam o coração... Gostaria de poder levar meus filhos para um plano superior, conduzindo-os ao bem, para que a nossa união divina pudesse acontecer, sem demora, nas regiões mais altas da vida. E essas saudades de “Nosso Lar” me castigam a alma, muitas vezes ameaçando minha humilde tarefa na Terra. Querido Aniceto, não se esqueça desta amiga humilde e imperfeita. Sei que Isidoro me acompanha, passo a passo, mas ambos precisamos de amigos fortes na fé, como você, para que se renove em nós, sempre, o bom ânimo no caminho dos deveres cristãos!... Isabel não pôde continuar, porque as lágrimas cortaram-lhe a voz. Aniceto, de olhos brilhantes e serenos, abraçou-a, como um pai, e falou suavemente: - Isabel, continue em seus testemunhos e não tenha medo. Estaremos com você, agora e sempre. Muitas criaturas admiráveis receberam a tarefa, mas não nos esqueçamos, filha, que Jesus recebeu a tarefa e o sacrifício. Não faltará, em nosso caminho, o cuidado carinhoso do Amigo Vigilante. Tenha força e caminhe! Em seguida, olhando a todos de frente, o querido instrutor disse: - Agora, amigos, ajudem-me a orar! E abraçado a Isabel e Isidoro, Aniceto levantou os olhos e falou: -“Senhor, ensine-nos a receber as bênçãos do serviço! Ainda não sabemos, Amado Jesus, compreender a extensão do trabalho que você nos confiou! Permita, Senhor, que possamos ter, em nossa alma, a convicção de que a Obra do Mundo lhe pertence, para que a vaidade não se insinue em nossos corações com as aparências do bem! “Dê-nos, Mestre, o espírito de devotamento aos nossos deveres e desapego pelos resultados, que pertencem ao seu amor! “Ensine-nos a agir sem paixão, para que possamos reconhecer os seus objetivos sagrados! “Senhor de amor, ajude-nos a ser seus colaboradores fiéis, “Mestre amoroso, conceda-nos, ainda, as suas lições, “Juiz imparcial, conduza-nos pelos caminhos retos, “Médico sublime, restaure-nos a saúde, “Pastor compassivo, guie-nos em direção às águas vivas, “Engenheiro sábio, dê-nos o seu roteiro, “Administrador generoso, inspire-nos na tarefa, “Semeador do bem, ensine-nos a cultivar o campo de nossas almas, “Carpinteiro divino, auxilie-nos a construir nossa casa eterna, “Escultor cuidadoso, corrija-nos o vaso do coração, “Amigo dedicado, seja tolerante, ainda, para com as nossas fraquezas, “Príncipe da Paz, compadeça-se de nosso espírito frágil, abra nossos olhos e mostre-nos a estrada para o seu Reino!” Aniceto se calou comovido e, de olhos úmidos, fazendo muito esforço para conter as lágrimas de gratidão, juntei-me ao grupo que seguiria viagem de volta a “Nosso Lar”.