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>> Colunistas > Jesus Histórico X Porcos Demoníacos - Criando um mito cristão Publicado em: 03 de outubro de 2008, 09:30:09 - Lido 3742 vez(es) > Marco Antônio Coutinho (Mac) na Voadores:
Lázaro Freire comenta: O termo original era o daimôn, literalmente "δαßμων". O Evangelho foi escrito em grego e bem depois de Jesus. E daemon não era Satanás nem Obsessor, e sim um conceito que já havia sido usado na filosofia de Platão. Sócrates se dizia inspirado por um "δαßμων" (daemon), vale lembrar. Essa demonologia atribuindo qualquer coisa imaterial a um "capeta" e chamando tudo de "demônio" ou "Satanás" (Adversário, apropriando-se de palavra hebráica usada no Velho Testamento apenas no sentido de... adversário) só foi criada na Idade Média. Com escusos fins específicos. Além do mais, a Igreja de Roma (e suas teologias derivadas) parecem falar de um tempo e fatos de outro planeta, incoerente com os registros históricos e arqueológicos, como se aquela Jerusalem onde mares mudavam de lugar fosse uma espécie de Avalon. Esse cenário descrito pelos padres medievais situa a terra de Jesus como um País das Maravilhas, numa dimensão paralela.
Para esclarecer (enfim), vamos falar um pouco da história, contexto e geografia daquele tempo e local nesta nossa dimensão aqui da Terra. Recomendo aos que tem medo de rever seus enganos que parem de ler por aqui, os argumentos podem ser desconcertantes. Quem tem fé em algo maior, terá mais. Mas quem não a tinha e a caricaturizava em fundamentalismos, a perderá de vez.
Para começar, o episódio dos porcos jogados ao mar teria se dado em Gadara, segundo a Bíblia. Teriam sido, portanto, três milagres: a expulsão dos Este era o mapa da época. Observem a localização de Gadara: http://www.keyway.ca/gif/tencit.gif http://maps.google.com/maps?f=q&hl=pt-BR&geocode=&q=israel&ie=UTF8&t=h&lci=lmc:panoramio,lmc:wikipedia_en&ll=32.652817,35.683551&spn=0.0114,0.022659&z=16 Por aí já daria para ver o caráter, digamos, "mitológico" destes Evangelhos. Mas não é este o assunto deste texto, pois naõ quero argumentar com um fato isolado, e sim com a coerência do discernimento. Analisemos, portanto, a origem do termo daimon, e o porque esse termo grego estaria ali no Evangelho, tão fora da geografia e do contexto. Essa é sua última chance de parar de ler e manter sua fé.
Como até a Igreja hoje em geral admite, os evangelhos foram escritos originalmente em GREGO, por volta de 70 a 100 DC. Há recursos precisos para esta datação a partir da análise de discurso, citação a cidades ou fatos inexistentes em 33DC, mas nãõ é este o tema agora aqui. O fato é que todos evangelhos foram todos escritos bem depois do completo massacre de Jerusalem pelos romanos por volta de 60-70DC (incluindo todas mulheres e crianças), após a grande rebelião judaica contra Roma: O resultado dessa revolta foi a DESTRUIÇÃO da cidade e de (quase todos) seus habitantes, inclusive os que se poderiam se lembrar de um tal rebelde Jesus que tivesse vivido 30 a 40 anos antes: Depois disso, num dos episódios mais IMPRESSIONANTES da história, ocorrido por volta de 70, os poucos sobreviventes e resistentes, incluindo aí principalmente os reminiscentes dos verdadeiros judeus-cristãos originais - haviam se refugiado numa fortaleza e comunidade religiosa em lugar alto, a "Torre" de Massada. E sofreram um grande cerco romano, de meses, sem poder sair. Há autores que especulam que parentes de Jesus (ou, quem sabe, o próprio, se sobreviveu à cruz e ao tempo) ESTIVESSEM em Massada, mas para isso teriam que ter sobrevivido ao Massacre de Jerusalem. O fato é que os romanos construiram, mês a mes, uma grande rampa para chegar lá em cima. E quando iam conseguir, os resistentes judeus-cristãos resolveram SE SUICIDAR, todos, numa fogueira, para não serem escravizados e violentados. Quando adentraram a fortaleza, os romanos - incluindo aí o historiador Josefo, que fazia registro - encontraram um cenário de horrores, em meio a pilhas de cadáveres auto-encinerados. De todo o resto de um povo e religião, apenas duas mulheres sobreviveram, além de cinco criancinhas, e relataram posteriormente o discurso de morte que ouviram, o qual tinha vários elementos que hoje conhecemos como os do gnosticismo-cristão, posteriormente decretado como "herege" por - vejam só - Roma, mas provavelmente o verdadeiro espírito Cristão. E só graças àqueles poucos sobreviventes posso contar essa página negra da história para vocês. O tema é polêmico ou evitado em países onde a igreja (de Roma) influenciou o ensino da história, talvez porque se Jesus, Tiago ou alguns santos estavam lá, eles seriam SUICIDAS; e mesmo não estando, registraria os romanos como aquilo que de fato eram. A Igreja (então de Roma) preferiu colocar uma pedra (a mais) sobre esse fato. A "culpa" de tudo seria sempre dos próprios judeus, esses "assassinos de Deus". http://pt.wikipedia.org/wiki/Massada Não por acaso, os arremedos de cristianismo que chegaram até a Idade Média, e dela a nós, não são o verdadeiro cristianismo (que teria bases mais judaicas ou gnósticas, talvez como os cátaros), nem tem a ver com Jesus. É apenas a heresia paulina, uma mistura greco-romano-judaica que um tal de ex-soldado romano Saulo de Tarso (depois Paulo), bem posterior a Jesus, inventada lá pela Grécia, para os filipenses, tessalonissenses, corintos e outros gregos tais, e duzentos anos mais tarde sincretizada com o paganismo romano, seus ídolos e datas, em benefício próprio do controle por parte de imperadores como Constantino (que nem cristão era, até o momento de sua morte. Este Paulinismo Romano, na verdade uma heresia a Jesus, revelou-se uma nova religião repressora, cheia de culpas, moralismos, influência grega, com sacerdotes celibatários devido a uma provável homossexualidade de Paulo, Nesta distorção, a fé cega, a obediência ás leis e o sacrifício de Jesus na cruz como redenção de nossos "pecados" eram o ponto máximo teológico, e não sua mensagem, nem atos e boas obras como os do bom samaritano. Uma teologia em muitos pontos contraditória aos próprios supostos ensinamentos de Jesus. Paulo/Saulo já havia sido advertido por isso duas vezes, pelos cristãos originais. Tiago, irmão de Jesus, já o censurara, e ele prometera mudar. Mas não mudou, menos ainda depois que Jerusalem e Massada, talvez até Tiago, foram todos exterminados. Para sobreviver falando disso aos gentios no império romano, Paulo adaptou as coisas, jogando a culpa romana pela morte de Jesus para os JUDEUS (!!!), seu próprio povo. Nascia aí um anti-semitismo INJUSTO que atingiria o auge em Hitler, ou seja, as mentiras da teologia cristã medieval que deram origem a essa "bíblia" ainda "justificariam" indiretamente, via preconceito, o holocausto da segunda guerra mundial. Seriam apenas "aquele povo" que, segundo a igreja protestante dominante na Alemanha, bem como o cristianismo católico da Itália de Mussolini, havia matado o próprio "filho de Deus". A própria "palavra de Deus" havia dito! Mas isso é outra história. O que importa aqui é que não havia GENTE OU LUGAR para falar de Cristo depois do ano 70 e alguma coisa. Se houvesse, seriam lembranças. Mas não havia. Sobraram DOIS adultos em Massada, para contar a história que falei para vocês. Uma anciã, uma moça (irmã de Eliazar) e algumas criancinhas que se esconderam. Aí, depois de anos, como mágica, com o NOVO cristianismo reinventado sendo pregado para povos gregos, surge do nada os livros com as palavras de Jesus. Todos ORIGINAIS GREGOS, e com vários elementos que já definiram essa datação. Escritos em grego, e hoje se sabe, todos depois de 70. João seria no ano 100. E não havia jornais ou internet para pesquisar fatos de Jesus. NENHUM desses evangelhos foi escrito na época de Jesus. NENHUM deles foi escrito sequer quando ainda havia Jerusalem, suas pessoas e seus registros - ou quem pudesse se lembrar deles de forma confiável. É pouco provável que justamente contemporâneos Jesus (30 DC), bem velhinhos em 80 ou 100, tenham sido os únicos sobreviventes por talvez terem fugido correndo das enormes legiões que assolaram aquela terra tantos anos depois. NENHUM foi escrito sequer antes de Massada, e não me parece que a velhinha e a moça sobrevivente sejam as evangelistas. Aliás, NENHUM deles sequer foi escrito em Aramaico, Hebraico ou línguas da região! Sobram as cartinhas moralistas de Paulo, um ex-soldado perseguidor de cristãos mais tarde arrependido, que nunca viu Jesus (a não ser em seus delírios internos movido pela auto-ulpa, bem posteriores à crucificação), e era repreendido pelos cristãos pelos ABSURDOS que dizia, mas essas foram escritas depois, em outro lugar e em outra intenção, décadas depois. Há uma passagem do filme ULTIMA TENTAÇÂO DE CRISTO que ilustra bem os absurdos da pregação de Paulo na Grécia. Quanto a Pedro, que andava junto om Tiago, escapa do massacre, e com seu povo e crença destruido, "converte-e" ao novo cristianismo de Paulo/Saulo, que antes condenara. Até por uma questão de sobrevivência. Suas cartas vem daí, e, portanto, são mais paulinas do que cristãs. Mas o que a igreja fez de absurdo, assim como a moral exigida por protestantes, tem mais a ver com as regras dos dois velhinhos nessas cartas às igrejas GREGAS do que com qualquer ensinamento - mitológico ou real - do tal Jesus. Pela data, teor e língua, e após o trauma da destruição de todo um povo, os tais evangelhos (que seriam mais adulterados ainda pela igreja medieval) tem a função de serem um resgate cultural e filosófico da essência perdida de um povo. Um "ouvi dizer", repleto de apropriações míticas (como o nascimento de Krishna de uma virgem, a morte de primogênitos na Índia do Maha-Bharata, a multiplicação dos 500 pães e peixes de Buda que agora viraram 5000), e de TENTATIVAS DE LEMBRANÇAS daquilo que diziam que teria dito um grande sábio e mestre judeu (não por acaso, construido a partir de um revolucionário morto na cruz). A sabedoria realmente é bela, mas precisamos lembrar que foi escrito por povos que nao conheciam direito detalhes geográficos e culturais, talvez no meio de outras culturas que criavam porcos, e TUDO EM GREGO, onde "daemon" era um termo já usado por Platão, que tinha OUTRO significado, que nao era nem de Satanás, nem de Obsessor. Lamento dizer a alguns amigos leitores que PAPAI NOEL NÃO EXISTE, mas isso não tira a beleza da SABEDORIA cristã. Assim como nos mitos gregos, temos um povo que perdeu sua identidade após guerras e massacres, e compensa na narração mítica e milagreira a sua vocação como a terra escolhida onde Deus habita. É humano e compreensível. Dá SENTIDO, e identidade cultural. Precisamos disso para sobreviver! Mas em breve, arqueólogos que lerem nossos escritos acharão curioso que no século XXI ainda havia igrejas e pessoas que tomavam literalmente os mitos cristãos e judaicos de 2000 anos atrás. Os gregos faziam exatamente o mesmo com a Teogonia e O Trabalho e Os Dias de Hesíodo, bem como com a Odisséia e a Ilíada de Homero, respectivamente o "novo e velho testamento" dos povos gregos de séculos depois. Ambos eram inspirados pelos deuses, e inquestionáveis, como a Bíblia. Hoje AQUELES são mitos. Amanhã, ESSES nossos também. As palavras atribuidas ao tal Jesus são belas e sábias, e isso é o que importa. Os mitos gregos davam sentido, moral e unidade àquele povo, em torno de uma transcendência espiritual, e pouco importa se ao chegarem ao "Olimpo", o nome do Deus que encontrassem não fosse Zeus. Assim como os gregos, muitos cristãos fizeram boas coisas a partir daquela filosofia, independente de em que língua tenha sido compilada a sabedoria de uma época judaica perdida. Talvez parte daquilo tudo bata com a história, mas até hoje ninguém achou nada que confirme, embora todo o resto da história e arqueologia daquele tempo esteja bem documentada. Só aquela Jerusalem de Avalon permanece sem dar provas, pois talvez tenha sido inteira abduzida aos céus, feito o tal Jesus do MITO cristão. Creio até que existiu alguém ali, líder rebelde ou mestre essênio, mas esse Jesus "da Histórica" é OUTRA pessoa. Espero não estar falando grego para ninguém. Mas o evangelista estava - "δαßμων", daemon - e é nesse contexto que precisamos compreender os "demônios" dos porcos em questão, bem como os "espíritos de porco" que mais tarde se aproveitaram disso criando uma "bíblia" e uma teologia cristã medieval, mais interessada no poder e controle pelo medo do que em qualquer ensinamento do Jesus mitológico que (re)criaram para seus fins.
Por ignorância, continuamos a cultuar e "confirmar" estes mitos em nossas "novas" psicografias e revelações. E ainda dizemos que sincretistas são só nossos irmãos umbandistas ou do candomblé. Credo! São FranChico Xavier, perdoa estes nossos pecados, que em troca prometemos batizar nossos filhos espíritas na paróquia do bairro, a mesma onde me casei. Mas pela Virgem Maria, rogai por nós, até a hora da nossa morte do Bezerra, Amém Kardec.
Láz
Controvérsias sobre a história de Jesus As Utopias Espiritualistas - e sua razão:
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