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>> Colunistas > Lázaro Freire Católicos Espíritas... e vice-versa. Publicado em: 23 de janeiro de 2009, 14:52:48 - Lido 2746 vez(es) ![]() > <> > Fernando: Alguém consegue me explicar como ser católico e espírita ao > mesmo tempo??? Se você observar o histórico e a prática, bem como os valores e crenças da maioria dos praticantes, acho muito mais difícil alguém ser espírita SEM ser católico ao mesmo tempo. >;-) O Brasil é um país de culturas miscigenadas, formado por Espíritas Apostólicos Romanos transformando-se aos poucos em um Católicismo Reencarnacionista baseado em Chico Xavier, onde curiosamente as incorporações lembram mais as da umbanda do que as do tempo de Kardec. Há muito reza-se o Pai Nosso de mãos dadas para os espíritos (em algumas casas, até o Credo e a Ave Maria), ou coloca-se imagens cristãs nos altares de magia. Pessoalmente, acho este sincretismo prático enriquecedor. Desde o tempo em que os fazendeiros ou comerciantes saiam da igreja e subiam o morro para umas mandinguinhas; passando pelas benzedeiras que unem (boa) bruxaria com preces cristãs. Quando os filhos dos barões do café retornaram de seus estudos na França, apenas atualizaram a prática para algo mais parisiense e civilizado, uma moda espírito-filosófica-cristã que surgia na Cidade Luz na entrada do século XX, e que sumiria de lá pouco tempo depois da morte de Kardec, tendo sido preservada (e transformada) apenas no Brasil. (Na mesma viagem, alguns trouxeram também a idéia dos cabarés, teatro de revista e casas de espetáculo, mas isso já é uma outra história.) Encurtando a história, criaram uma alternativa de espiritismo sem morros, sem mandingas, que valorizasse a leitura (e, portanto, excluisse aos poucos os analfabetos), de mesa "branca" e apenas com referências cristãs, compatível com as preces e evangelhos católicos sem adentrar nas referências dos pobres e dos escravos, caiu como uma luva para a classe média-alta brasileira. E, mais tarde, foi se sincretizando e ritualizando em centros de um modo tal que nunca existiu nos tempos de Kardec, adaptando e trocando as rezas pelas preces, o inferno pelo umbral, a homilia pela preleção evangélica inicial, o catecismo pelos cursos de evangelização e mediunidade, o castigo pelo carma, a comunhão do final pelo o passe, o paraiso por Nosso Lar, os anjos pelos mentores, os demônios pelos obsessores, e mantendo a maior parte do moralismo e valores, e até mesmo permitindo a co-existência de alguns ritos nas igrejas, onde boa parte dos espíritas se casam e batizam, ou a seus filhos. Nada mais brasileiro que, de vez em quando, baixar um índio, um baiano ou um preto-velho nas casas federadas. Ou ver palestrantes de umbanda sincretizando ensinamentos de Kardec. Porque não? Excetuando os mais fundamentalistas, o difícil mesmo é encontrar no Brasil católicos que NÃO acreditem de modo algum em alguma influência espiritual ou energética; e mais raro ainda encontrar um espírita que não se utilize, ainda que sem saber, de inúmeros valores, morais, versões e credos fabricados pela Igreja Católica bem depois da morte de Jesus. > Se der aproveita e explica também se dá pra ser são-paulino > e corintiano também... Ué, nunca ouviu falar em metrosexuais? Nem em crimes do colarinho branco? :-P Mas falando mais sério, há quem prefira não polemizar, e aprecie o bom futebol, torcendo pelo espetáculo, e aprendendo com tudo o que houver de bom. Vale o mesmo para a religião. A minha é Deus. E a de vocês? Mas note também que todo São Paulino é um pouco corinthiano também, e vice-versa, porque polarizam em cima de um mesmo eixo, que não diz nada para torcedores do Grêmio ou do Liverpool. Pelo mesmo motivo, todo satanista é cristão, e todo evangélico de TV é satanista, às vezes falando mais do tinhoso do que de seu próprio Deus. E em última análise, há dias universalistas em que corinthianos e são-paulinos se unem para um bem maior, e todos torcem juntos pela seleção, vestindo a mesma camisa, somando suas qualidades e buscando um objetivo bem maior do que suas pequenas diferenças, das quais sequer se lembram quando o assunto é sério. No máximo, tem orgulho de determinado jogador ser de seu time, por sua opção ter muito para contribuir para com o todo. Em Buda, Krishna, Jesus, Papa e Kardec, acho que esta metáfora é mais apropriada. Só mesmo na mente humana poderíamos conceber seres desta grandeza se degladiando e excluindo fiéis do outro, como se experienciar o divino fosse algo como uma torcida de time de futebol. Láz -- Lázaro Freire lazarofreire@voadores.com.br
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